quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Lições de IT, A Coisa




O filme IT foi realmente um sucesso, um dos maiores de 2017 em termos de terror. Não lembro de ter visto tanta empolgação com relação ao Anabelle 2 ou outros menores que surgiram. Lógico que o fato de ser um clássico, de ser do Stephen King e gerar reminiscências e comparações por parte dos que viram a versão antiga são pontos muito fortes que contribuíram para essa comoção toda. Eu pessoalmente adorei o filme e creio que nunca senti vontade de ver um filme pela terceira vez no cinema como me senti compelida a ver IT. Contudo, mais que um clássico, o filme traz lições e reflexões incríveis para todos. Não recomendo que crianças vejam, apesar de ter sido um filme feito basicamente delas, seja no legendado, seja no dublado, a presença dos baixinhos foi notória, pois mesmo na versão dublada, as vozes foram feitas por atores da faixa etária praticamente igual aos que estavam atuando. E os psicólogos que me perdoem mas sim, as crianças foram mini adultas nesse quesito, eles demonstraram muitas coisas que adultos nem são capazes de imaginar. E os atores com sua maturidade e profissionalismo idem. Porém, assim que os créditos levantam, você tem a sensação de que sai do cinema com algo mais do que entrou e eis as lições que IT tem pra nos dar.


1. É legal ter um Clube dos Otários

Depois que você cresce muitos amigos se vão, mas os que permanecem são inesquecíveis e os laços se tornam fortes ainda que se separem. Se você nos tempos de escola não foi um bullie cretino, uma patricinha popular ou um esportista marombado, provavelmente sabe como dá orgulho ver uma turma de bulinados tão bem representada no cinema. O Clube dos Otários representa aquela coletividade que há nos tempos de escola e que muitas vezes faz você passar por ela e seus desafios de forma mais fácil, confesso que em determinadas partes do filme eu quase chorei de emoção lembrando do meu próprio clube dos otários, embora ele fosse bem menor. E mais do que isso, mostra como isso faz a diferença na vida de uma criança. E considerando que é quase certo que haverá uma parte 2 com o adorado clubinho já adulto, essa importância se torna mais notória.


2. “Se ficarmos juntos, venceremos”

O Clube dos Otários não se faz útil somente pra lidar com os cretinos mais velhos do ensino médio e com as frustrações. Esses meninos perceberam que precisavam amadurecer mais cedo pra lidar com algo muito maior do que picuinhas de escola. Quando Bill afirma que precisavam ficar juntos caso quisessem derrotar a Coisa, fica claro que todos ali, ainda que de forma diferente, estavam lidando com um inimigo comum e que não podiam quebrar seu vínculo nem sua união, caso contrário ficaria fácil para a Coisa vence-los. Quando Beverly pede ajuda para limpar seu banheiro, ele só consegue ficar limpo quando todos se unem. E mesmo quando eles se dissipam por um tempo, por desavenças internas, bastou que um membro do grupo corresse perigo para que todos se unissem de novo. E estavam juntos quando conseguiram ferir a Coisa. Um por todos e todos por um.


3. “Todos temos medo de alguma coisa”

Quando você é criança muitos medos se manifestam de forma mais ampla. Para o Clube, a Coisa assumiu algo diferente para cada um deles, de acordo com o que mais temiam. A Coisa se chama coisa exatamente porque é um transformista, ele é tradicionalmente palhaço, mas vira leproso pra um garoto hipocondríaco, vira mãos queimadas para um sobrevivente de incêndio, ou um objeto assustador para quem tem medo de algo dentro de casa. Quando adultos no entanto, esses medos se tornam aversões, talvez com dimensões menores de quando se é criança, porém ainda assim com potencial para que a Coisa brinque com você. O medo alimenta a Coisa e dá poder a ela para fazer o mal, é como dar um revólver a um assassino, tanto que Beverly sobreviveu porque mesmo a Coisa a sequestrando, ela não teve medo. E mesmo que estivessem medrosos de algum modo, foram em frente.  O único modo de vencer isso é exatamente como nossos amados Otários fizeram: enfrentando a Coisa e linchando ela.


4. “Vai chupar seu papaizinho, seu caipira babaca!”

Crianças não são frágeis como parecem. Talvez quando mais novas sim, mas a partir da segunda infância elas começam a mostrar traços de sua personalidade e como podem ter potencial. Richie era bem boca suja, mas não hesitou em ir pra cima dos bullies quando foram atacados. Em um dos trailers, é dito que quando você é criança você acha que está protegido, mas os monstros olham pra você como algo fraco. Creio que uma criança que mostra sua força seja defendendo os amigos, seja defendendo o que acredita tem grandes chances de se transformar num adulto no qual os monstros não vão meter medo. Provavelmente veremos muito dessa força no segundo filme, com eles adultos e de peito aperto pro que der e vier.


5. Ás vezes ao lidar com algo seu, isso repercute no coletivo

O filme segue uma linha bem reta, tudo acontece de forma natural e lógica. Quando Georgie desapareceu, Bill de certa forma se sentiu culpado por não te-lo acompanhado e como o corpo não foi achado, ele sempre tinha esperança que mesmo depois de um ano, seu irmãozinho estava desaparecido assim como outros coleguinhas da escola. Por não conseguir aceitar tão facilmente as explicações, ele vasculhava lugares aonde seu irmão poderia estar e de tanto cavar a turma começou a descobrir as coisas sobre a Coisa. Eles poderiam ter deixado quieto e curtir as férias de verão como todo mundo, mas Bill disse: “O que vai acontecer quando outra criança desaparecer? Outro Georgie, ou Bett ou um de nós?”, ele decidiu que enfrentaria a Coisa e com isso acabou livrando não só seus amigos, mas quem ignorava que ela existia e até mesmo quem tirava sarro de sua turma. Ainda que esse feito tenha sido conhecido só por eles, eles tiveram a certeza que fizeram a coisa certa.



4 comentários:

  1. Esse fillmer me surpreendeu. Realmente vale a pena todo o trabalho que a produção fez, cada detalhe faz que seja um grande filme. A verdade me surpreendeu, porém eu acho que houve melhores lançamentos das historias de Stephen King nesse mesmo ano como A Torre Negra filme, uma historia cheia de incríveis personagens e cenas excelentes. Você já leu o livro? É muito bom. Acho que é uma boa idéia fazer este tipo de adaptações cinematográficas. Realmente vale a pena todo o trabalho que a produção fez, cada detalhe faz que seja um grande filme.

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    1. Eu pessoalmente adorei! Vi o antigo e percebo que ficaram lacunas que nesta nova versão não existem. É tudo bem linear e coeso, sem contar que estou ansiosa pela parte II! Muito obrigada pelo comentário!

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  2. ''Se você nos tempos de escola não foi um bullie cretino, uma patricinha popular ou um esportista marombado''

    UHEAUHAEUHAEUAEHEA, nao pode mais ser esportista maromba agr, VAMOS SER TODOS OBESOS E FRACOS ;D

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    1. Olha, se você automaticamente associa maromba com saúde ou "boa forma" com saúde devia rever seus conceitos. E quando falei "esportista maromba" não posso falar pela vida escolar dos outros, mas na minha os esportistas só eram mais uma categoria de bulie e mais um tipo de pessoa que adorava humilhar quem não curtia ed. física u se achavam os incríveis por isso. Se não se encaixa nessa descrição, ótimo. Mas se sim, não devia se ofender tanto ;D

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