segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Quanto tempo o ódio pode manter duas coisas juntas?



Confesso que desde que comecei a assistir Game of Thrones, essa foi uma das frases mais impactantes, embora somente agora ela veio à tona. Numa época em que amor de todos os tipos é celebrado, fica estranho falar de ódio, porém tanto quanto amor, ele é uma coisa poderosa e também forte. Aliás, não faltam fontes que afirmam ser o ódio nada mais que um amor forte que ficou seriamente doente. E toda doença drena a vida de quem a possui.

A frase em questão foi dita pelo rei Robert Baratheon a sua esposa Cersei. Ela é tida como uma vilã, capaz de qualquer coisa pra conseguir seus objetivos. Como esposa, ainda que amargurada, nem sempre foi desse modo. Quando casou com Baratheon, ela o idolatrava, estava satisfeita de ser rainha. Ele, contudo, amava outra pessoa e na noite de núpcias, no meio do ato sexual, murmurou o nome de outra mulher. Claro que olhando e sabendo disso, Cercei tem seus motivos para ter total aversão (e ódio) pelo marido, começou a beber vinho em demasia para esquecer... Contudo na época não havia divórcio e ela precisava aguentar o marido, a intimidade até o fim da vida.
Ódio é uma coisa estranha. Tem algo de sádico, de indiferente, algo de fundo passional, infelicitante... então por que muitos permanecem dessa forma? Porque ódio pode até ser derivado de amor, mas o orgulho o contamina de tal forma que a pessoa envolvida não se vê capaz de abdicar desse sentimento e procurar uma nova alternativa nem abdicar do que esse sentimento a impulsiona a fazer.

Olhando com atenção, há vários exemplos de quem fica muito tempo "junto" e todos tinham amor para dar. O mundo de certa forma, ao fazer mal, deixa uma bagunça,, quem sofre isso, nem sempre consegue lidar bem, a reação é confusa e o que era tão bonito, se vê contaminado e seriamente enfermo. 

Hanzo, o Scorpion de Mortal Kombat, foi ao inferno e voltou. Traído pelo seu melhor amigo, teve sua família morta mas quando renasceu só pensava em vingança, seu coração se encheu de amargura no lugar onde havia amor. Algumas perdas doem tão fundo que é muito difícil curá-las.

Freya, de O Caçador e a Rainha do Gelo, amava o pai de sua filha, porém ao acreditar que ele havia matado sua filha, o coração dela ficou tomado por raiva e o poder de gelo se libertou. O problema deu-se de achar que amor era uma mentira, uma traição, porém o fruto da raiva de Freya foi mais amargura e decepção de achar tais coisas verídicas. Ela não foi a única que abandonou suas convicções de vida a uma decepção com entes queridos.

Edmond Danteé foi o claro exemplo de quem se une a coisas ou pessoas por um ódio tão grande que ele sustenta objetivos. Ele era uma pessoa inocente e bondosa que não tinha ambições enormes de cunho material. Tudo o que ele desejava era casar com sua noiva, Mercedes e continuar empregado da empresa de navios para qual trabalhava. Por conta de sua ingenuidade, foi acusado de traição e preso, perdeu tudo. E com mais algum tempo, perdeu até sua crença em Deus, deixando somente o desejo de vingança no lugar. Ao sair da prisão, com um mapa do tesouro em mãos e conhecimentos adquiridos com seu amigo padre, um a um, seus inimigos foram caindo em seus planos arquitetados, contudo para sorte dele, havia ainda uma pessoa que o amava pelo que ele era antes do que se tornou. E com isso, ele conseguiu voltar.

A questão de quando o ódio une alguém a objetivos é que nunca é algo grátis, a pessoa paga um preço a medida que se afunda, tal como o ódio é um amor doente, ele adoece quem o possui. E com isso pouco a pouco a pessoa envolvida vai se esquecendo de onde veio e de quem é, muitos permanecem expostos por tanto tempo que o próprio motivo que levou ao ódio se perde e o indivíduo permanece como um dependente apegado ao vício, definhando.





O ódio pode manter coisas juntas por muitos anos, porém somente curar o amor dentro de si é que pode durar uma eternidade. E fazendo infinitamente mais bem.

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