quarta-feira, 5 de abril de 2017

Lições de Game of Thrones - Parte II


Como eu já havia falado no outro post, Game of Thrones é um meio de vida. E conforme vou avançando nas temporadas percebo o quanto daquela época considerada tão rústica tem a nos ensinar e o quanto tem de semelhante com nosso tempo. E com isso aqui está a parte II das lições aprendidas em GoT.


1. As pessoas podem odiar você por ser bom.

Jon Snow era um dos melhores em Winterfell, quando foi para Castle Black idem. Era habilidoso, corajoso, leal, ensinava os que não sabiam tanto, porém mesmo assim o colocaram numa função muito aquém de suas habilidades, uma função onde ele era subaproveitado considerando o que tinha de melhor. Para todos ele sempre era "o bastardo", sempre faziam questão de lembrar da condição que ele tinha. Com isso se percebe que seja por inveja, por despeito ou por não conseguir ser algo que se quer, tem gente que acaba transferindo todos esses sentimentos para quem é o que ela não é ou tem o que ela não tem. 


2. Família é família, mas nem sempre será um mar de rosas

A Família Lannister é um bom exemplo disso. O patriarca fazia questão de dizer que seus filhos o envergonhavam muito por causa dos boatos sobre Cersei e Jaime e ele não escondia que sentia raiva de Tyrion porque sua esposa falecera ao lhe dar a luz. "Eu tive que ficar com você porque não consegui provar que você não era meu filho", Cersei dizia que era uma piada enorme ele ter rasgado a mãe dela em dois e ter feito ela sangrar até morrer mesmo sendo um anão. Mesmo entre os Starks, Jon foi criado como filho, mas a madrasta nunca conseguiu amá-lo, pois ele foi fruto da traição do marido e ele tinha que ver isso diariamente ao conviver. Mesmo nas melhores famílias, seja pobre ou rica, os membros sempre terão suas arestas, em alguns casos a raiva e aversão será palpável, só que cabe aos próprios membros trabalharem isso.


3. Ser líder é difícil

Vemos muitos exemplos de líderes em GoT. No caso de Joffrey, ele já era um mau líder, que não tinha respeito algum por seus súditos nem o respeito deles de volta, não o consideravam muita coisa mesmo sendo uma figura de autoridade, isso tornava as coisas difíceis pois um povo precisa de uma figura de respeito e confiança para se sentir seguro. Daenerys era o oposto porém também lidava com situações complicadas, ainda que tentando ser o mais justa e bondosa possível. Ela atendia mais de 200 pessoas por dia, entre nobres, escravos, agricultores... Ouvia a todos e tentava resolver suas dificuldades da melhor forma, mesmo quando o problema de um esbarrava no problema de outro e podia gerar aproveitamento por parte de outro, ela cortava um dobrado pra poder agradar razoavelmente seu povo e transformar sua cidade num lugar mais justo e melhor de se viver.



4. Direitos Humanos já naquela época era um negócio complicado

Numa época em que o que prevalecia era a lei da espada, na qual você podia usar sem muita preocupação com punições parece estranho falar de direitos para com as pessoas enquanto seres humanos, ainda que elas tivessem cometido erros terríveis. Daenerys sentiu isso ao se deparar com um filho pedindo para enterrar seu pai num funeral adequado. Ao ser questionado onde seu pai estava, ele disse: "Empalado na entrada da cidade", detalhe: o referido pai era um nobre que havia concordado em empalar uma centena de crianças, as quais não tiveram funeral adequado. A rainha então fica numa situação complicada, como ser justa mas ainda assim mostrar que puniu aqueles que foram cruéis? Por vezes se retribui injustiça com clemência, mas ela tentava a todo custo ser equilibrada com relação a isso e fatalmente por vezes precisava retribuir injustiça com justiça. Mesmo que essa justiça machucasse uma parte de seus súditos.


5. Se um pai ou mãe tem um filho predileto, todos notam

Jamais me esquecerei de Tyrion dizendo a seu irmão mais velho: "Você pode perder uma mão, matar um rei, fuder com a própria irmã, ter um filho bastardo e ainda assim vai continuar sendo o filho de ouro". Com uma declaração assim, nota-se o quão deficiente pode ser a relação de pais e filhos. Claro que quando pais tem mais de um, é natural que por personalidade, ele possa se afinar mais com um do que com outro, o que é muito diferente de eleger um filho de ouro e simplesmente fechar os olhos para tudo que ele faz que possa ser errado, e o pior é que muitos pais caem na ilusão de achar que os outros não percebem essa distinção. Curiosamente, não somente é algo com filhos, já que até com filho único pode ocorrer, mas nota-se também em relações de trabalho, de escola, faculdade, ninguém está imune de conviver com alguém eleito como "garoto de ouro" de outro alguém.


6. Se você aguenta algo por muito tempo, chutar o pau da barraca pode ser um alívio.

Tyrion desafiou todo mundo quando gritou em seu julgamento, um discurso cheio de raiva, revolta, mágoa, não só contra seu pai, família e mulher amada, mas contra todos da cidade e desafiou os fatos exigindo um julgamento por combate. Ele estava cansado de fazer as coisas da melhor forma e sempre ser taxado de incapaz e olhado com comiseração, tratado com ingratidão, ele sabia que não obteria justiça de fato e chutou o balde numa cartada perigosa. Talvez no discurso de Tyrion esteja todos os nossos apertos internos e vontade de chutar o pau da barraca sem medo do que vai acontecer, por vezes se cansa de certas situações, tornando-se mais fácil botar pra fora do que engolir.


7. Nomear aquilo sobre o qual se quer mudar é uma boa forma de buscar meios de fazê-lo

Arya tinha pessoas com quem tinha contas a acertar. E para não esquecer isso antes de dormir repetia o nome de todos, era uma lista extensa mas ela não conseguia dormir antes de dizer todos os nomes em voz alta. Claro que atualmente falar nomes de pessoas que você gostaria de ver mortas não é nada saudável, mas isso pode servir muito bem para seus objetivos. Escrever e lê-los em voz alta pode ser uma boa forma de nunca se esquecer deles e se estimular a buscar formas de realizar esses objetivos e desejos, dizem que ao focar em algo que se quer muito, sua cabeça começa a formular e procurar meios possíveis que possam ser usados, é um bom exercício a ser praticado.


8. Nem sempre os que você confia farão o melhor deles por você

Isso ao longo de GoT foi uma coisa dolorida de se ver. Pessoas que até eram fiéis mas que em algum momento vacilaram feio e o pior, na hora que mais se precisava delas. Ou simplesmente traíram a confiança de quem confiava cegamente. Sor Jorah por mais que fosse totalmente devoto a Daenerys, não hesitasse em fazer qualquer coisa por ela, não foi isento de receber a devida punição por trair a confiança da rainha fazendo papel de espião, por mais que ele tenha jurado que seus sentimentos mudaram, Danny o puniu, não com a pena máxima, já que reconhecia o quanto ele tinha feito por ela, porém ainda assim o puniu com banimento, uma vez que não deixava de ser uma traição. Outro caso foi o de Bronn e Tyrion. Quando optou pelo julgamento por combate, Tyrion tinha certeza que Bronn iria lutar por ele, porém não contava que sua irmã traiçoeira prometera vultuoso casamento para Bronn em troca dele não lutar. Tyrion por sua vez não ficou com raiva, embora decepcionado, ele perdoou e compreendeu que seu velho amigo, por mais fiel que fosse, não perderia uma oportunidade como aquela, por vezes você perdoa já que percebe que o outro não pode dar mais do que aquilo, o que também não significa que você vai ficar esperando e atravessando oceanos por ele até que ele queira dar mais.


9. Por vezes subestimam alguém por ter uma aparência frágil

Muitos não davam uma temporada para Daenerys, ela era pouco mais que uma menina quando casou com Drogo, estava assustada mas aprendeu a ser forte como uma verdadeira Khaleesi, ela se tornou uma rainha poderosa, forte, temida, mãe dos dragões, impôs respeito para aqueles que a olhavam como menina frágil e submissa. Ela enfrentou exércitos, desafiou gente importante e ficou conhecida. Talisa se casou com Rob Stark, ela era mais forte do que os homens do exército achavam que ela era. Por ser enfermeira, ela via sangue, homens estripados, suturas, via gente morrer, não tinha medo nem se intimidava com grosserias dos homens, por mais que parecesse uma mocinha doce e frágil, ela tinha dentro de si uma força incrível.


10. Com Game of Thrones você percebe que sempre existiu tudo em todo lugar

Gays, lésbicas, bissexuais, assexuais, curiosos, ao ver a série a gente percebe que o argumento de "no meu tempo isso não existia" é muito furado, pois mesmo que na surdina, as coisas rolavam soltas, só eram mantidas a margem, contudo mesmo o mais nobres tinham lá suas escapadas e lados escondidos. Logo ver GoT faz você ter uma mente mais aberta.

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