domingo, 11 de agosto de 2013

Análise Mulan - Em homenagem ao dia dos pais


Uma vez li um comentário assim: "Ela é a única princesa que vale á pena. Não tem sapatinho de cristal. Não é a mais bela. Não dormiu por 100 anos. Não tem fada madrinha. Ela não precisa ser salva nem entender os homens, ela possui sua própria espada." E como a Michele Phan enfatizou, ela não é só uma princesa, é uma guerreira. 

A história de Mulan foi cantada em uma balada na China, não se sabe se ela é fictícia ou existiu mesmo, mas com certeza é muito interessante. Como as garotas de sua época (bota passado nisso), a honra que ela poderia dar era o casamento, ela queria muito dar isso ao pai. Embora, o destino lhe mostrasse que havia outros caminhos para isso. Mulan não é uma princesa, mas uma menina normal que mostra seu valor no decorrer da história.

No meio de uma guerra que ocorre em seu país, o Imperador decide que um homem de cada família deve ser convocado para lutar. Na hora que seu pai, já velho e doente, é chamado, ela corre tentando argumentar a não ida dele, sendo calada logo em seguida, afinal garotas não falavam na presença de homens, porém pra defender o pai, ela não hesitou. Na balada diz: "O pai não tem filho crescido, Mulan não tem irmão mais velho", então nesse instante, ela percebe que não há muitas opções.

Daí, ela troca o pente de flor pela espada. Corta os longos cabelos lisos, isso é como uma renúncia. A decisão que ela toma debaixo da chuva mudou algo e ela se descobre capaz de muito,unicamente por amor ao pai. Sua transformação em homem não a anulou como mulher, mas acrescentou força ao seu ser. E dessa maneira ela conseguiu a honra que tanto desejava para seu pai e sua família.

Mulan não desistiu quando apanhava no acampamento ou quando os exercícios eram exaustivos. Ela só esperava que não descobrissem quem era. Descobriu com o tempo que tinha força, que seus músculos podiam lutar, que a espada com o tempo não pesava mais. Quando queremos, Mulan nos mostra, que conseguimos criar a força dentro de nós, em todos os sentidos. Contudo, mais do que força, ela descobria novas formas de se conseguir superar seus limites.

Ela era inteligente. Percebe que explodir uma montanha inteira acaba com o exército inimigo de forma mais eficaz ao invés de só mirar no líder. É corajosa, se arrisca pra salvar seu comandante, não por paixão, mas por admiração e empatia. Ganha o respeito de seus colegas pela sua competência em batalha e mesmo depois dela e da descoberta, continuaram respeitando-a. Mulan é o retrato da discrição e ao mesmo tempo da força. No filme, ela é descoberta, mas seus feitos foram reconhecidos pelo comandante e não é morta. "No portão, ela encontra seus camaradas, eles focaram todos surpresos. Lutando juntos por doze anos, eles jamais suspeitaram que Mulan fosse mulher."

Mulan mostra que mesmo uma flor pode ser muito bela, mas nem por isso é frágil. Pra mim, ela diz que uma mulher pode ser os dois, tipo ying-yang. Ela chegou a receber honrarias pelos seus feitos, convites para cargos importantes, mas tudo o que queria era voltar pra casa. Seu motivo pra cortar o cabelo, vestir uma armadura e sair lutando, não foi provar pro mundo o "sim, eu posso" de uma mulher, não foi mostrar que seios não impedem uma mulher de fazer força nem desafiar a sociedade predominantemente masculina da época, isso pode ter vindo depois, mas não foi o principal. Seu motivo foi o amor pelo pai, o medo de perdê-lo, ou seja, algo estritamente pessoal que formou algo grande e fez crescer o amor entre os dois e trouxe a honra que ela tanto desejava. E é por esse motivo, que ela merece toda a  menção neste segundo domingo de agosto.

"Lebres macho gostam de chutar e pisar,
lebres fêmeas têm olhos enevoados e acetinados.
Mas se as lebres correm lado a lado,
quem pode dizer qual é ele ou ela?"



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