segunda-feira, 3 de junho de 2013

Crítica ao texto "Como se sente uma mulher"

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Vi esse texto no site Papo de Homem, site em que pessoas mandam seus textos, alguns levantam polêmicas, outros mostram idéias e tals, textos de linguagem rebuscada, tipo aqueles textos de história com palavras cultas que eu tinha que interpretar nas provas de colégio, enfim. Me arrisquei em mandar um, vamos ver no que dá. Este eu li por acaso, é um texto inteligente, não posso negar. Mas como toda adoradora de espadas medievais, enxergo sempre dois lados que cortam e uma ponta que espeta.

Tudo gira em torno de como a mulher é vista no mundo de hoje, reflexo de 5000 anos de opressão. Fala sobre o fato das cantadas masculinas serem ofensa e em como ao passar por entre eles significa avaliação criteriosa de todos os seus dotes físicos. Bem, multiplicar isso por todos os dias da minha vida é mais um problema com o qual se deve lidar, encarar como violência ou não, é mais uma opção. 

Ela lança um desafio: os homens imaginarem 5000 anos de mundo dominado por mulheres. Bem, eu imaginei e cheguei a uma conclusão: aí seriam os homens a lutarem por direitos. Seriam eles a exigirem títulos na política, seriam eles a exigirem esportes mais característicos, seriam eles a quererem lugares tipicamente masculinos. Eu também imagino nesse gancho em como os homens lutam pra desmitificar certas coisas em parte construídas por eles mesmos e em que mulheres deram apoio, tipo profissões femininas em que um homem se inseriu. Como deve ter se sentido o primeiro enfermeirO da história? Ou ainda, o primeiro médico que optou por uma especialidade tipicamente feminina? E o primeiro cabelereiro, o cara que decidiu que não queria ser barbeiro, mas fazer penteados e maquiagem? Podem ter sido homo ou heterossexuais, mas todos cairam matando em cima, provavelmente fazendo piadinhas e falando coisas, mas acredito que como o ser humano quer evoluir eles simplesmente ignoraram e se concentraram em si mesmos.

"Quantas violências eu sofro só por ser mulher?" Bem, acho que vai do que se considera violência realmente. Como somos todos diferentes, essa concepção varia também. Ela menciona as Irmãs de Shakespeare, que podem ter sido bruxas queimadas, mulheres caçadas, enfim, mulheres que nunca puderam mostrar seu talento pelo fato de serem mulheres. Nem preciso dizer que algumas moças do calibre da Joana D'arc parecem ter sido esquecidas olhando por esse ângulo.

Entendo o olhar da autora com relação á alguns pontos e o fato dela considerar isso violência. Tipo, não ser permitida de fazer esportes considerados de meninos. Eu já quis fazer boxe, não rolou porque a disposição não foi suficiente e com relação á opinião alheia só me disseram: faz, mas falaram dos possíveis efeitos no meu biotipo. Com as citações de adolescência, acredito que ouvir "não pode isso", "não pode aquilo" ás vezes é só o início da construção de personalidade, já falei em outro post que não acredito em influência eterna, pois uma hora você começa a questionar o que realmente acha certo.

Sexualidade reprimida pela sociedade, pela família e etc., bem, o que escrevi sobre influência também vale, embora eu concorde com ela de que é um negócio muito traumático ás vezes e concordo mais ainda que como tudo é algo que se vai aprendendo e moldando segundo sua personalidade e escolhas. É comentado que as revistas ensinam só como agradar um homem, bom, um homem atinge o orgasmo na metade do tempo que uma mulher, fatores como clima, relaxamento e o gostar influenciam, mas é inevitável dizer que as diferenças biológicas em boa parte dos casos fazem o homem estar mais propenso ao "agrado" do que a mulher.

"90% das propagandas me denigrem", consigo entender esse ponto de vista por esse e outros textos que li. Denigrem porque mostram mulheres maquiadas querendo impressionar homens ou querendo um namorado, por elas serem mostradas com produtos de limpeza e em boa parte cuidando de crianças, sentindo prazer em lugares como cozinha, tanque e em bares ao lado de um homem. Seguindo esse raciocínio, justiça seja feita. Denigrem também 90% dos produtos destinados a mulheres, 90% das músicas, 90% dos canais femininos do youtube, pois as gurus mais conhecidas falam de maquiagem, moda, esmalte e mostram o quanto isso é importante e faz diferença, algumas até mostram seus maridos/noivos/namorados dando depoimentos de como gostam de presenteá-las com produtos que a deixam mais bonitas. 

Embora se mostre isso não impeça estas mulheres de serem bem resolvidas nem outras de optarem por fazer vídeos de ciência. As músicas representativas da mulher, desde que a Valeska Popozuda foi tese de mestrado, são aquelas que falam de uma mulher que foi traída, feita de boba, subestimada e virou puta. Lamento neste ponto, porém vou continuar adorando as músicas que me oprimem, aquelas que falam de uma história de amor, de uma mulher louca de amor por um homem, que colocam a mulher como um ser divino e adorado, músicas cantadas por tenores (que é um título exclusivamente masculino), definitivamente não troco Caruso por nenhuma "música representativa".

Repressão sexual é uma coisa que existe e que com a experiência você vai desfazendo conforme vai descobrindo coisas. Nem todas as famílias perguntam para suas mocinhas se estão namorando, conheço uma até bem tradicional na qual as tias falam: Não se esqueça de fazer um mestrado. Muitas mulheres nos quadrinhos usam roupas sexys, porém não significa que não são confortáveis, collan por collan, o Homem Aranha também usa.

O texto como um todo é bom, embora eu ache que 5000 anos é muita coisa, o que também exige muita coisa pra mudar o que de errado foi feito e estabelecido. Antigamente, meninas viam Romeu e Julieta, eu, desde moleca também, mas sempre me excitei com filmes de espadas, guerras, especialmente quando tinha aquela garota que cortava umas cabeças aqui e ali. Se eu pudesse voltar em uma época, voltaria a era medieval, porque uma mulher com espada na mão é tudo de bom, talvez em alguma outra vida eu tenha sido um macho que curtia isso e hoje acho que mulher também pode. Talvez seja pelo fato que eram um artefato exclusivo que aquelas que decidiram usá-lo, tiveram destaque na história. Assim como muitas outras que foram pioneiras e assim vamos caminhando, com mulheres que fazem diferença do seu próprio jeito.


Só pra terminar, ao escrever este texto estou também vendo o filme Conan, o Bárbaro. Achei um máximo a mãe dele mesmo grávida estar lá na batalha e ter a coragem de se cortar e morrer pelo filho, pode até não passar no teste de Bechdel mencionado pela autora, porém em menos de 10 minutos de filme, ele já me deu a lição de equilíbrio no qual acredito quando se trata de machismo isso, feminismo aquilo: FOGO E GELO, ESSE É O SEGREDO DO AÇO.












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