sábado, 17 de novembro de 2012

Crítica "Até que a sorte nos separe"

Eu devo estar mudando, porque definitivamente filmes nacionais não eram meu forte, mas aceitei ver esse numa boa. E não me arrependi nem disse a célebre frase do Chaves: “Teria sido melhor ter ido ver o filme do Pelé”. A mensagem do filme é clara, sobre como um bom planejamento e organização fazem a diferença na vida das pessoas. Foi inspirado no livro Casais inteligentes enriquecem juntos, tive curiosidade de lê-lo, embora ainda não tivesse oportunidade. Se casais inteligentes enriquecem juntos não sei dizer, mas o contrário é verdadeiro, casais desorganizados tendem ao fracasso.

Envolvendo um pouco de experiência pessoal, atendi em uma comunidade uma vez entrevistando grávidas e nitidamente notei que a falta de planejamento leva á constante pindaíba. E não tem bolsa gravidez, pós-parto, escola, família, marsupial que dê jeito. Voltando para o filme, a atuação de Leandro Hassum e Daniele Winits foi de uma sintonia incrível. Considerando que o filme teve seus momentos de humor, de romance, mas também de uma profundidade que quase me arrancou lágrimas.

Hassum se adaptou bem ao papel de milionário folgado e fanfarrão completamente apaixonado pela esposa e Winits tem habilidade descomunal para interpretação de peruas. O casal enriquece e fica meio deslumbrado, relembrando aqui a cena da lista de gastos da família percebo que beira os raios do absurdo. Tal situação faz lembrar que dinheiro, por mais que se tenha, não é um bem infinito.

Dentro desse contexto, sempre há um personagem meio contrapartida e este é o vizinho tipicamente “chato” que trabalha muito e é excessivamente metódico. Tal vizinho se chama Amaury, um consultor financeiro sempre preocupado com as finanças tendo lançado um livro chamado “cinco passos pra enriquecer”. Então Tino (personagem de Hassum) em uma situação delicada, pra não dizer desesperadora, precisa da ajuda do tal vizinho para equilibrar sua situação, o que proporciona diálogos incríveis.
100 milhões de reais parece muita coisa, porém quando o gerente do banco enumera todos os gastos de Tino ao longo de 15 anos, vemos que ele pode se esvair facilmente. Ou você acha que cinco viagens a Disney por ano e voos gravidade zero não custam caro?

Gisele (personagem de Winits), esposa de Tino, é a clara imagem da peruice que beira o cafona. Inicialmente, é poupada de toda a situação 2e por que não dizer subestimada pelo marido? Pois apesar do apego ao botox, ela tem momentos realmente surpreendentes ao longo da trama. Momentos esses que botam até mesmo Tino para pensar.

Ao longo do filme a meu ver, cada um tem que lidar com suas próprias limitações. Até mesmo Amaury, que é tão controlado tem que admitir que tanto controle ás vezes priva de vida e felicidade. Tino aprende não só o valor da humildade, mas também passa por provações que o fazem ver o quanto vale ter uma família e o quanto todo o dinheiro, posses e status pode se tornar nada caso você só tenha a solidão pra compartilhá-los.

Até que a sorte nos separa é um filme muito recomendado por mim, tem um toque especial de humor, lições e emoção na medida certa. As atuações estão bem convincentes e os atores souberam como cativar. Não sou muito de filme nacional como já disse, pois muitos foram desastrosos, mas esse foi um que valeu a pena ser visto e tenho só elogios pra ele.

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