sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Campanhas e co-campanhas facebookinianas



Depois que o orkut foi R.I.P.ado, o facebook se instalou com toda a força. E com ele vieram inovações, novas formas de post, novas propriedades de fotos e compartilhamento de vídeos, é tanta coisa que ninguém sente falta da identificação de visitantes recentes e buddypoke. Daí, o face tem algo que o Orkut não tinha, que talvez se assemelhe ás correntes, em atitude e intenção: as campanhas.

Volta e meia, aparecem aquelas figuras, com alguns dizeres que instigam as pessoas a compartilhar. Ás vezes não são posts engraçados ou divertidos, muitos instigam problemas a serem pensados e cá entre nós, alguns são bem chatos. Por parte, em 2011, me lembro do Dia das Crianças. A brincadeira era colocar a foto de um personagem que fez parte da infância como protesto contra exploração infantil, eu coloquei uma do Dragon Ball Z (XD), aí não sei de quem foi a brilhante idéia de primo chato de colocar uma figura com o número do Disk Denúncia, dizendo que aquilo sim combatia a exploração infantil. E o que era pra ser divertido perdeu a graça, eu continuei com minha foto de DBZ, assim como muitos com suas fotos de Power Ranger, Bambi, She-Ra e deixaram claro que sabiam do 181, mas queriam mesmo é se divertir.

Veio o câncer do Lula e a campanha: “Lula, faça seu tratamento no SUS”, eu compartilhei, não nego. Acho que é um problema a ser pensado, afinal, não olhando por uma ótica política, dele ser o “ex-presidente do partido da estrela”, Lula é uma pessoa como outra qualquer que adquiriu câncer. Na área da saúde, chamam isso de “doença democrática”, atinge todas as classes sociais e todas as idades. Assim como o câncer é democrático, idem o SUS. É dever dele por lei, atender todas as camadas sociais, independente de raça, sexo ou idade. Daí, conclui-se: não importa se é o pescador que vem do interior ou o político importante, o SUS deve (ou deveria) atender a todos da melhor forma.

A campanha relacionada ao Lula foi tomada como ironia com o câncer e obviamente lançaram a co-campanha: “Essa pessoa não vê ironia no câncer”. Por partes: o SUS deve prestar atendimento de primeira, se o Lula ou quem quer que seja, paga por atendimento melhor, supõem-se que o SUS não é tão eficiente, daí a instigação a se pensar nas deficiências do Sistema Público de Saúde que não merece a confiança nem do ex-presidente. Detalhe: isso não significa que se quer que ele morra. Contudo, gerou uma grande aporrinhação.

Virou matéria no jornal e verdadeiros debates via comment. Tenho muito respeito pelos profissionais que trabalham com câncer, pelas famílias que passam ou passaram por esta situação, pois sei que não é fácil considerando os problemas que ainda são enfrentados. Acho que no fundo se deve mesmo questionar os problemas da saúde pública no país ao invés de ver ironias aonde não existem.

Outra coisa que tenho  observado (bastante) são campanhas envolvendo academias. Alguns sem pudor algum a atitude adotada pelos malhadores (as) de plantão, consideram mediocridade a fascinação pelas academias, a valorização do corpo perfeito, a busca por algo impossível que é a celulite 0 e dizem que os malhadores só sabem contar até 15 porque é o número de séries a serem feitas. Estes, provavelmente muito fulos da vida, co-campanharam com o seguinte dizer que na minha opinião pareceu, sim, medíocre (tanto quanto a campanha original), e se não foi medíocre, foi de tom muito arrogante, colocaram fotos de garotas bonitas sorrindo de orelha a orelha e ao lado celulite de mulheres de provavelmente 70 anos: “Se você que ter celulite o problema é seu, mas os que não querem merecem respeito e não preconceito”. Celulite 0 é impossível, bebês nascem com ela e pugilistas também têm, quanto ao preconceito talvez se dê em ambas as partes. Ainda há crença de que academias estão repletas de peruas que não fazem mais nada além de suar numa esteira e caras que só tem o Tico e Teco como neurônios, cá entre nós, não se pode dizer que é uma mentira absoluta. Seria necessário uma pesquisa, tipo “Incidência de atletas, pessoas fúteis e gordinhos em busca de saúde nas academias”, aí sim tais pessoas estariam respaudadas cientificamente, apesar de que nas academias também estão aqueles advogados que conseguem uma hora em seu apertado horário pra olhar um pouco pra própria saúde, estudandes que largam os livros pra darem um relax e trabalhadores que procuram prevenir danos á saúde.

Da mesma forma, pessoas com corpo legal, personal trainners e derivados não olham com bons olhos aquele gordinho que adora comer e atravessa a rua pra não passar na porta de academia. Ás vezes é questão de saúde mesmo, afinal, obesidade é uma porta de entrada para vários males tipo doenças cardíacas e diabetes, contudo há muitos que condenam por pura questão estética e vaidade, achando-os feios, desengonçados e daí pra pior. Menos arrogância e mais tolerância de ambas as partes talvez seja a solução mais simples e sensata.

Por último, essa sim eu concordo, com relação a gostos musicais. Tenho visto e dado total apoio a incentivos a uso de fone de ouvido principalmente em transportes coletivos. Assim, o metaleiro que escuta aquele rock cheio de palavrões não precisa entrar em conflito com o funkeiro que curte uma orgia musical. Não é uma questão de educação, passou a ser uma questão de respeito á privacidade. Cá entre nós, algumas músicas são realmente constrangedoras e alguns ritmos insuportáveis, diga-se de passagem o que ganhou o Oscar dos sertanejos: Michel Teló querendo “pegar” todo mundo, muitos curtem, mas aquilo num ônibus de manhã não gera um bom dia de trabalho pra muita gente.

O facebook tem evoluído, disso não há dúvidas, mas como muitas redes sociais foi criado pra ser diversão, não estresse e até que surja um moderador para as campanhas e co-campanhas, a consciência dos usuários ainda é o que vai pesar mais.

2 comentários:

  1. Acho que sou um dos poucos que ainda prefere o orkut (as comunidades são melhores para discussão). Gostei do seu blog e coloquei para acompanhar. Continue o bom trabalho.

    Até! ^^

    Will

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  2. Valeu Will! Obrigada por acompanhar!

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